A revista "Encontro"
A ideia de uma revista missionária de fácil acesso à população juvenil, que se situasse na linha da antiga revista "Missões de Angola e Congo", onde tantos espiritanos tinham recebido inspiração para a sua vocação missionária, era desde há muito um sonho do director da LIAM, o P.José Felício. Por sua vez, logo no primeiro Encontro Missionário dos Professores e Alunos Mestres das Escolas do Magistério Primário, realizado em Viana do Castelo em 1962, a ideia de uma revista que alimentasse a chama que então se procurava acender entre o professorado e as Escolas do Magistério e que fosse porta-voz desta iniciativa começou a ganhar corpo. "Encontro" receberia o seu nome de baptismo a partir deste movimento, embpra o seu horizonte se anunciasse, logo desde o princípio, mais vasto e as suas ambições tivessem já uma respiração mais ampla. De resto, o tempo novo que o Concílio anunciava era um desafio. A missão da Igreja emergia dos documentos conciliares como a tarefa fundamental do povo de Deus e será nessa onda que o "Encontro" embarcará.
O primeiro número da revista apareceu a 1 de Janeiro de 1963 com o título "Encontro - Selecções Missionárias" e fazia-se acompanhar de um suplemento infantil, que alguns meses depois seria integrado na revista.
A revista era bimestral e apresentava-se como uma espécie de selecções missionárias, espaço ainda aberto na geografia da nossa imprensa missionária.
O "limiar" com que o seu director, P.José Felício, abria o primeiro número apresentava as grandes linhas do seu programa. É um texto-chave para a história da revista e por isso aqui o reproduzimos::
" Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amen.
Assim me ensinaram quando pequenino a começar e a terminar as principais obras do dia.
A revista missionária que hoje sai a lume, não constitui só uma obra de um dia. Pretende, ao apresentar-se ao público, viver vida longa, vida intensa por tempo sem fim, ao serviço da "Vida" que um dia, a própria Santíssima Trindade propôs aos homens em mensagem de salvação.
Em nome pois de Deus e da Imaculada que Ele escolheu para em seu seio virginal realizar o Encontro do Salvador com a Humanidade, aí vai a nova revista "Encontro- Selecções Missionárias" ao vosso encontro, estimados leitores.
Nasce em ambiente de Concílio Ecuménico e nesse ambiente quer viver em plena colaboração com toda a Igreja para apressar o encontro da humanidade com Cristo e em Cristo.
Será um permanente alerta de Natal para repetir com os anjos do presépio à humanidade pagã: "Nasceu-nos um Salvador".
Pretende ser despertador consciente e firme do mundo cristão para que se encontre a si mesmo na realização de "um só rebanho e um só pastor", vivendo o imperativo da caridade universal. "E vós sereis minhas testemunhas até aos confins da terra2 (Actos, 1,8).
De há muito que ansiávamos preencher a lacuna deixada pela tão reclamada revista "Missões de Angola e Congo" . Queríamo-la, porém, actualizada, vibrante, de face nova e de horizontes verdadeiramente universais. Uma revista que nos falasse dos problemas de cá e de longe, da Ásia e da América, da África e da Europa ou da Oceania, atraindo-nos a diálogo dos irmãos desconhecidos ou dispersos pelas selvas dos grandes continentes ou imersos nas ilhas mais remotas dos oceanos.
Uma revista de abertura universal em que a vida heroica de tantos missionários nos fosse relatada na sua epopeia de distribuidores dos tesouros insondáveis de Cristo a multidões imensas que morrem à míngua do Pão da vida, ou se arrasta por todos os caminhos à procura de salvação.
Uma revista de senso e olhos ecuménicos, propondo-nos as questões missionárias de dentro para fora, isto é, mostrando.no-las como a causa da Igreja ( mobilização total, no dizer de João XXIII), e de fora para dentro, trazendo à nossa consciência de católicos essas multidões verdadeiramente apocalípticas que "ninguém pode enumerar", vindas de todos os ângulos e direcções, à procura da Água viva e do Cordeiro Imaculado que os dessedente e lhes mate a fome.
Numa palavra, queríamos uma revista missionária que nos apresentasse o século XX do mundo pagão ao século XX do mundo católico, e vice-versa, numa cosmovisão cujo telstar fosse o Coração Redentor do próprio Cristo.
Esperemos que "Encontro" realize tão importante tarefa de formação missionária. Mais que simples televisão, "Encontro" não se contentará com Câmaras transmissoras que não permitem diálogo com os telespectadores.
"Encontro - Selecções Missionárias" quer provocar sobretudo diálogo vivo, autêntico, cheio de interesse e de colaboração imediata, entre as cidades pagã e cristã que permita congregar os filhos de Deus, dispersos pelo universo.
E porque as capacidades e receptividade , a doação e seus modos de realização, diferem como luz de estrela para estrela, "Encontro" procurará adaptar-se a todo o público desde a exposição da doutrina missionária às mais variadas facetas da missionação, desde a história real à de ficção, da anedota às palavras cruzadas, dos artigos sérios e algo extensos à leitura rápida e clara de "aos quadradinhos".
E até para para maior facilidade de todos os leitores, apresentar-se-à sempre na dupla modalidade de Encontro (suplemento Infantil), para menores sem limite de idade.
Pedindo licença para ser bem recebido em todas as casas, "Encontro" aí vai. Abençoe-o Deus e a Rainha de todos os homens. Aceitem-no grandes e pequenos, escolas e catequeses, oficinas e escritórios, professores e alunos, sacerdotes e fiéis, lares e organizações.
Leiam-no e espalhem-no por toda a parte e "Encontro" realizará o seu sonho: ser arauto entusiasta da causa missionária, despertador autentico para o grande Enontro de Cristo com a humanidade pagã, por uma colaboração consciente, séria e a
Que "Encontro" seja o melhor auxiliar desta vontade de Cristo: "Assim como o Pai me enviou, assim eu vos envio a vós: Ide por todo o mundo, baptizai todos os povos em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" ( João XX, 21 e Mt. XXVIII, 19)"
A revista passou a mensal em 1981, com aumento do número de páginas e mudou de formato em 1984: deixou o formato de selecções para adoptar o formato normal de revista para o grande público. Tem sido sua preocupação ser uma expressão da missão espiritana, através de testemunhos de missionários, leitura actualizada da teologia da missão, dossiers sobre situações e problemas missionários mais estimulantes, reflexão vocacional com os jovens e página das crianças.
Em 1998 o "dossier" da revista passou a ser impresso a cores, estando programada a impressão a cores de toda a revista, logo que as condições económicas o permitam
Como redactores, a revista conheceu os Padres Adélio Torres Neiva, Veríssimo Teles, Firmino Cachada e Francisco Lopes. . Publicado em www.espiritanos.org a 1/21/1999.
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