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P. Carlos Estermann

Francisco Valente

O  P. Carlos Estermann

 

 

Dados  Biográficos

 

 

Carlos Estermann, aquele que se tornaria na grande figura de missionário e de etnólogo de renome universal, nasceu em Ilfurt, na região do Alto Reno, integrada na Alemanha de então, situada na actual Alsácia, incorporada na França, em consequência do desfecho da Primeira Guerra Mundial.

Seus pais, Carlos Estermann e Josefina Jaeger tivera, seis filhos, tendo este recebido o nome completo do pai.

Depois de frequentar os estudos primários na escola da terra natal, em alsaciano e alemão, matricula-se, por sugestão do professor e do pároco, que nele vislumbravam aptidões para a vida intelectual e religiosa, na escola secundária dos Missionários do Espírito Santo em Saverne, terra onde nasceu um dos fundadores dos Espiritanos, o Venerável Padre Francisco Libermann.

Fazendo jus aos dotes apontados, transita para Knechsteden, na Alemanha, para completar o curso e ingressar na Filosofia, como futuro membro da Congregação do Espírito Santo.

A eclosão da Primeira Guerra Mundial apanha-o no vigor da sua juventude e após terceira inspecção é integrado noa Serviços Auxiliares de Saúde, no exército alemão.

No decorrer da guerra, ferido em combate, é recolhido por uma ambulância inglesa e levado, como prisioneiro, para a Inglaterra, tratado no hospital de Manchester. Aí entrega-se ao estudo do inglês até ao armistício. Regressa então à Alsácia em Janeiro de 1919 e prossegue os estudos de Filosofia.

Em Setembro do mesmo ano, entra no Noviciado em Neufgrange e a 17 de Setembro de 1920 faz a Profissão Religiosa.

Ingressa no Seminário de Teologia de Chevilly, onde é ordenado sacerdote a 28 de Outubro de 1922, pelo Superior Geral de então, Mons. Le Roy, juntamente com outros de que destacamos os portugueses Isalino Gomes, Cosme e Vieira Baião.

Terminada a Teologia, faz a sua Consagração ao Apostolado a 8 de Julho de 1923.

É então nomeado para as missões de Angola, distrito religioso do Cubango.

 

Rumo às Missões

 

Ao findar a Teologia, o P. Estermann tem vinte e sete anos. Os vinte e oito fá-los-á em Lisboa, durante o estágio da espera para o embarque.

Optando pela vida missionária com a sua entrada na Congregação do Espírito santo, alia aos estudos sacerdotais tudo o que se refere às missões. Atento às conferências dos missionários que passam pelo Escolasticado e às leituras que tratam da vida africana e das missões, sonha em um dia realizar o que ouve e lê.

Fervilha nele o instinto de uma preparação remota, idealizada mas latente. A preparação próxima é-lhe fornecida pelos livros de Mons. Le Roy, superior geral da Congregação a que pertence.

E, insensivelmente, deseja segui-lo na peugada. Tem diante de si relatos como “Au Kilima-Njaro”, da vida missionária a cem por cento, “La Réligion des  Primitifs” que o lançam para os contactos com povos diferentes, que tinham a sua religiosidade própria, e descobre a existência de raças diferentes como os pigmeus, de que fala Mons. Le Roy.

Um mundo novo que seria o seu.

Como linguista, o P. Estermann domina perfeitamente o alsaciano, o alemão em que ele fez os seus estudos; o latim e o grego, matéria dos estudos secundários; o inglês, praticado na Inglaterra durante a guerra de 1914-1918, e o francês, pela passagem da Alsácia para a França depois do armistício, e pelo termo da filosofia em Neufgrange e da teologia em Chevilly, perto de Paris.

Ciência impele à ciência.

E esta predisposição manifesta-se nas conversas do P. Estermann. Em Lisboa, o P. José Maria Antunes não lhe fica indiferente. Com gosto se entretém com o P. Estermann e mais o acicata ainda.

O próprio P. Estermann relembra o resultado destes diálogos:

“No último domingo antes do embarque o veterano sentiu-se impelido a fazer uma recomendação ao novato (Estermann): não deixe de escrever para as revistas e escreva coisa de carácter científico .... Embora eu não pudesse prever estas circunstâncias, ele queria que eu seguisse de algum modo o caminho por ele trilhado” ...[1]

Um missionário e cientista que arrasta pelo seu exemplo o jovem Estermann, que, mais tarde, no campo da acção, não descuraria os passos de outros grandes vultos, que pediam continuidade.[2]

Incentivos não faltavam ao P. Estermann. É que, ser missionário, envolve a missionação e o conhecimento geral e completo, na medida do possível, dos povos a evangelizar, da vida que levam e do ambiente em que vivem.

Incógnitas a desvendar para uma orientação pastoral missionária que o P. Estermann levava no coração.

 

A Caminho da Mupa

 

Destinado às missões do Cubango, em Angola, a pedido  do Prefeito Apostólico Mons. Keiling, os três meses passados em Lisboa pelo P. Estermann, podiam dizer-se de estágio para aprendizagem do português e recolha de elementos numa preparação próxima através de leituras respeitantes à vida sertaneja do sul de Angola e dos relatos sobre os cuanhamas, ou do próximo futuro campo de apostolado ... na frase do P. Geraldes.

Em 28 de Dezembro, consegue um lugar  no vapor “Ussuma”, em companhia dos Padres Manuel Lopes e João Cardona. Estes com viagens pagas pela Fazenda Nacional, e o P. Estermann à conta da Prefeitura do Cubango.

Duas semanas sobre o mar, com paragem em Tenenerife e Las Palmas, e aportam em Luanda a 12 de Janeiro de 1924; aqui, os seus dois confrades desembarcam, seguindo ele para o Lobito, onde chega a 13 de Janeiro de 1924.

Nessa data ainda não existia um Procurador, membro da Congregação, nestas paragens. Encarregava-se deste serviço um comerciante de Benguela, amigo das missões. Chamava-se Silva Lopes. Era ele que recebia e hospedava os missionários, quando tinham de aguardar os dias de combóio, que só fazia trajecto do Lobito para o Huambo duas vezes por  semana.

Três dias à espera e toma o combóio a 16 de Janeiro, em direcção a Nova Lisboa. Aguardava-o aqui o Ir. Agostinho que o leva de carro até ao Cuando.

Como a festa da Padroeira do Cuando se celebrava no dia 16, o P.Estermann chegou no final da Festa do Imaculado Coração de Maria, Refúgio dos Pecadores.

É abraçado por Mons. Keiling na alegria compreensiva de quem vê aumentado o pessoal missionário.

Era o tempo em que não havia pressas e que as horas não contavam.

Dez dias de permanência no Cuando, enquanto Mons. Keiling procedia à visita regulamentar à missão. Finda a visita, recomeça a caminhada, não directamente, mas com as paragens de regra nas deslocações africanas desse tempo.

Saído do Cuando, acompanhado por Mons. Keiling e pelo P. Afonso Krumenacher e com o Ir. Agostinho ao volante, pernoitam na missão do Sambo, para, no dia seguinte, se dirigirem para o Galangue.

Aí aguardam a celebração da festa da Padroeira, 11 de Fevereiro, Nossa Senhora de Lurdes.

Missão poética a de Galangue, com os edifícios alicerçados em pedregulhos desgarrados uns dos outros, como sentinelas à volta de um castelo. Miniatura de solar era o palacete da residência do Prefeito Apostólico, de dois andares, em que o de cima servia de escritório r de dormida. Não faltando as indispensáveis varandas africanas para amortecer o calor do sol durante o dia, e mitigar o frio durante a noite.

Novo compasso de espera, e a marcha, ainda de automóvel, recomeça a 16 de Fevereiro, precisamente um mês depois da chegada a Benguela, a caminho da Vila da Ponte, da ponte construída sobre o rio Cubango, que deu o nome `Prefeitura,, e dava agora o nome á Vila. Mais tarde seria Vila Artur de Paiva para voltar a ser denominada, já elevada a cidade, de Cubango.

Tanta morosidade para quem anelava chegar ao seu destino, longe de bulir com os nervos, mais os dominava. Este domínio constitui uma escola para a penetração dos sertões africanos. E o P. Estermann começava a aprender nesta escola.

Sempre o conheci senhor de si, calmo e sonhador em sonhos de acordado numa abertura de olhos para tudo o que lhe despertasse a atenção. Para ele tais andanças e demoras acicatava o seu estudo. Talvez não tomasse ainda notas, mas a sua memória encarregava-se de conservar toda a novidade que se lhe apresentasse.

Em Vila da Ponte ou no Cubango acaba a civilização, diria o poeta.

Para a frente só a pé ou de tipóia. Farnel bem fornecido para uns dias largos de marcha, com a bagagem repartida por carregadores, sem esquecer armas e munições para aproveitamento de carne no caminho num recurso à caça, ou afugentar qualquer fera  inoportuna que lhe vedasse o caminho. Descansando aqui, pernoitando acolá, no meio da selva, em acampamentos previamente assinalados e programados pelo condutor da caravana.

Entre a Vila da Ponte e a missão da Mupa, exactamente uma semana, e a 24 de Fevereiro chegam ao destino.

O P. Estermann, em companhia de Mons. Keiling, são saudados pelo P. Devis e o Ir. Silvano.

 

Um  recuo  na  História

 

Se a Mupa se apresentava agora como um oásis no meio da selva, onde não faltava a Igreja, a residência, e as suas casas funcionais para armazéns, oficinas, o dormitório e a escola para um tentativa de internato de alunos, difícil fora a penetração e instalação.

Estes aspectos seriam mais tarde focados em artigos da autoria do P. Estermann e que a colectânea averba para a memória.[3]

Como ao factos foram em parte vividos por Mons. Keiling e em parte conservados nas Memórias da Congregação, uma palavra sobre os acontecimentos:

“Esta missão do Evale-Mupa, projectada em 1879 pelo P. Duparquet e fundada em 1883 pelo P. Campana, sofreu, como é do conhecimento público, várias vicissitudes. Em 1885, o pessoal foi massacrado pelos indígenas e os bens pilhados. O sino vendido a um boer, encontra-se presentemente, no Munhino. Se ele falasse o que não diria!...”[4]

Em 1990, o P. Leconte, instado pelo Cardeal Prefeito da Propaganda, resolveu restabelecer a missão em Matadiva, com a ajuda do P. Genié. Novas dificuldades por parte dos turbulentos cuanhamas, sempre de espingardas na mão. Pelo que o local da instalação da missão se desloca mais para o norte, para Oupiakadi. Aí o Irmão Dionísio é varado por uma bala em 1903, por um súbdito Kavangelwa, soba do Evale. Apesar de tudo, procura manter-se, embora penosamente instalada e mantida com dificuldade, para, em 1912, ser destruída pelos mesmos cuanhamas do Evale.

Reinstalada, resiste até 1916, data ema que se fecha por causa da Grande Guerra e das escaramuças entre soldados portugueses e cuanhamas.

Numa tentativa de evitar o pior, Mons. Keiling põe-se a caminho para enfrentar o terrível soba Mandume.

Como, ao descrever esta viagem, assinala certos aspectos do ambiente climatérico do Cuanhama, não resisto à transcrição, para comparar com as impressões que o P. Estermann iria recolher a apresentar mais tarde..

Mons. Keiling estava em Cassinga. Era por volta de 1915. Diz-nos:

“Deixando Cassinga, tomamos um caminho para o Cuvelai. Percorremo-lo durante o dia. De tarde , abandonamos o leito do rio e fomos dar a uma mulola, chamada Tchana-tcha-Mpundja. Mulola é uma depressão do terreno, onde acodem as águas no tempo das chuvas, mas que , na presente época, em Janeiro, estava seca. Medíamos a nossa água com todo o cuidado, pois sabíamos que dela dependia a nossa viagem. A 3 de Janeiro chegámos extenuados ao Ndjongo, onde, no tempo ordinário, há sempre água ... Mas, feitas as sondagens, deparamos com todos os poços secos, e foi em vão que, na areia, cavámos uns buracos. De água, nem vestígios.

A 8 de Janeiro chegamos a uma mulola que nos deixou estupefactos com as árvores de fruta silvestre que lhe cobrem as margens. Quanto mais nos aproximamos da Ndjiva, capital do país cuanhama, mais interessante  se torna a paisagem. Os campos são menos áridos, a erva é mais verde e nos poços não secou a água completamente.[5]

Deparámos com uma lagoa, de água estagnada de duzentos a trezentos metros de comprido por uns vinte de largo, em que os peixes abundam. E, como remate, acrescenta que os peixes não cabiam na rede, de tantos que eram. Estariam na lagoa da Mupa?[6]

Era isto em 1915-1916. Novo local para uma missão? Vem o desastre e só o futuro o dirá.

 
Olhos sobre a  Mupa

 

Esse futuro chegou em 1923.

Mons. Keiling não esquece os cristãos que se haviam refugiado em Cassinga e tantos outros  que haviam ficado sem pastor. E convida o P. Devis, que era missionário em Oupiakadi e era conhecido no alto Cuanhama, Mupa e Evale a relançar a obra.

O P. Devis, coadjuvado pelo Ir. Silvano, acede e lança-se à construção, auxiliado pelos cristãos que conseguira reunir, idos de diversos locais: 71 famílias cristãs num total de trezentas pessoas.

Em 20 de Outubro de 1923, Mons. Keiling pode escrever para a Casa Geral da Congregação:

“ O P. Devis está instalado. Estão erguidas duas casas provisórias ...

Os cristãos reuniram-se à volta da missão e pode dizer-se  começada a reocupação do Cuanhama. Entreguei ao P. Devis trinta contos em material, para começar. O resto virá, pouco a pouco. Como os missionários são reconhecidos pelo Governo Português, os Padres receberão 12 a 15 contos anuais. Deste modo a missão pode avançar.

O P. Estermann, logo que chegue, será dirigido para a Mupa”.[7]

Em 1925, Mons. Keiling completa ou desenvolve o noticiário sobre a Mupa. Diz:

“ O P. Devis conseguiu reunir a antiga cristandade, percorrendo caminhos difíceis, por causa das inundações que assolaram o país.

“O Ovampo é formado por uma extensa bacia entre os rios Cunene e Cubango, bacia que desagua no lago Etocha, no Sudoeste Africano (hoje Namíbia). Quando as chuvas são abundantes, as águas convergem para o Cuvelai, mas tão lentamente que se espalham pela superfície fora, por quilómetros e quilómetros”.[8]

Mais tarde, o P. Estermann confirmaria esta observação com o que lhe fora dado ver. Descreve-o sobre o título “ A Cheia do Cuvelai”, ao qual designa por “RIO PERIÓDICO” de perto de duzentos quilómetros de extensão, com caudal bastante volumoso durante seis ou oito meses do ano. No tempo seco forma o seu leito como que uma cadeia de grandes e pequenas lagoas ...” E acrescenta: “Anos de cheia, anos de fartura em comida, pastos e água.”[9]

Pelo que pude verificar pessoalmente, numa viagem esporádica e só em meia dúzia de dias, posso acrescentar alguns dados colhidos superficialmente e sem a profundidade de um conhecimento de causa:

1.     O povo cuanhama não conhece o que seja uma cordilheira, uma serra e nem sequer um outeiro. O terreno é plano de norte a sul de este a oeste. Qualquer elevação de terreno é um vocábulo que não faz parte do seu vocabulário.

2.     O terreno é constituído por areia à superfície, que encobre uma camada argilosa, assente sobre um filão de pedra calcária.

3.     As águas das chuvas, caindo, detêm-se à superfície e não atravessam a camada pedregosa. Daí as inundações, em que as águas alastram e esperam a evaporação, dado que a infiltração é deficiente.

4.     Em tais condições não existe floresta densa. As árvores são de pequeno porte, dispersas e em mata aberta.

 

No Campo de Acção

 

Transcrevo parte das informações de Mons. Keiling para a sede da Congregação:

 

“O P.Estermann faz parte da missão da Mupa desde 1924.

Se a evangelização dos Evale, raça saída do Humbi e da Huila, é pouco consoladora, atendendo ao seu caracter refractário à civilização, o mesmo não acontece com o cuanhama típico. Para este se dirigiu o P. Estermann, tendo como transporte uma carroça, sendo bem recebido nos pequenos aglomerados populacionais, constituídos em geral por uma quarentena de palhotas.

Abre-se assim um vasto campo de evangelização. Com o conhecimento da língua e seu aprofundamento por um estudo sério, encontrou a chave da penetração. Se houvesse catequistas capazes, para colocar nas aldeias indígenas, o trabalho avançaria com rapidez. Isto virá com o tempo.”[10]

Notícia animadora a respeito de quem começa.

Em 1924  não existia ainda o rádio nem emissoras que chegassem a estas terras do fim do mundo. Distracções, para ocupar os tempos livres, eram desconhecidas num ermo isolado como a Mupa, distante uns bons quilómetros do Evale, posto administrativo  e povoação comercial, em que os brancos se contavam pelos dedos de uma só mão.

Se para outros este  MUNDO NOVO  conduzia ao tédio, o terrível tédio do sertão africano, mormente no Cuanhama, que convidava à indolência, ao abatimento moral e ao marasmo ( como alguém que lamentava a sua sorte e exclamava: “mato, mato! Para qualquer lado  que me volte só vejo mato à minha frente!.... E andei a estudar eu tantos anos, a estudar para cair neste matagal asfixiante”) Com o P. Estermann tal não acontecia. Ele reflectia: eis diante de mim as almas que me tarariam e às quais me vou dedicar. Quanto aos estudos, é agora que eu irei servir-me deles para aplicá-los naquilo que tenho à minha frente.

Não importa que, para os primeiros contactos, recorra aos apontamentos deixados pelos Padres Duparquet e Leconte (este escrevera um esboço de gramática cuanhama e métodos de leitura para os indígenas), e às lições que o P. Devis me dá Os encontros com os indígenas oferecer-me-ão a possibilidade de penetrar na sua língua em diálogos espontâneos ou provocados..

Prudentemente, tentarei desvendar a sua história e conhecer a sua mentalidade e os seus costumes. Falando com eles de homem para homem, desaparecem as barreiras de cor e abre-se o caminho do seu coração.

O Evangelho, que venho anunciar, destina-se a homens concretos. Ao compreenderem que os amo e me interesso por eles, ganhar-lhes-ei a confiança. A confiança deste homem no seu ambiente, no ambiente da sua vida em contacto com a natureza, com os seus animais e com as suas culturas.

A ciência que trago e que aprendi nos bancos da escola concretiza-se aqui. Esta concretização é uma nova ciência que aprendo!

Já não havia lugar para tédio e despertava a paixão. A paixão das almas e do conhecimento do homem no seu todo quanto à pessoa, família, e sociedade.

Com o homem, aos serões, a sua filosofia em fábulas e provérbios.

No ambiente, a constituição da selva, com os nomes das plantas e das árvores primeiro na língua local e depois, cientificamente. Seria a aplicação da recomendação que o P. Antunes lhe dera em Lisboa: tirando apontamentos e formulando esboços para tratados, mesmo em artigos que fosse.

Um apaixonado não conta nem horas nem dias. Os dias parecem-lhe minutos, os anos parecem dias.

Quatro anos ocupados na conversão de gentios, na fundação de catequeses, nas viagens missionárias. Mupa era então a única missão católica do Cuanhama. A oeste da Mupa, depara com gente diferente perto das margens do Cunene: os Va-Handa e núcleos de pigmeus. Aborda-os, estuda-os e tenta fazer no seu meio a penetração do Evangelho.

Simples penetração porque o tempo escoa-se.


 

[1] P.Geraldes, Colectânea, 2º vol. Pg.361

[2] Ibidem, “O P. Lecomte linguista”, pgs.339-244; “Contribuição dos Missionários do Espírito Santo para a exploração científica do Sul de Angola”, pgs. 353-360.

[3] Ibidem, “Sangue Cuanhama”, pg. 445;  “Vida e aventuras de um soldado”, pg. 465.

[4] Bulletin Mensuel de la Congrégation” (B.M.C.), Out. De 1923, pgs.427-428.

[5] Ibidem, 1925, pg. 266.

[6] P. Geraldes, Colectânea, 2º vol. Pg.394.

[7] B.M.C. 1927, pg.253. 

[8] Ibidem, pg.266.

[9] P.Geraldes, Colectânea, 2º vol. Pg. 394

[10] B.M.C. 1927, pg. 253.

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Publicado em www.espiritanos.org a 1/30/2003 3:08:27 PM.

 

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