2º Domingo da Quaresma Pe. José de Castro Oliveira pe.castro@espiritanos.org A segunda etapa da nossa caminhada quaresmal em direcção à Páscoa é dominada pela escalada do monte Tabor, onde, segundo a Tradição, teve lugar o fenómeno que designamos de ‘transfiguração’ de Jesus.
Se é verdade que os três Apóstolos, a quem foi concedido o privilégio de presenciar esta cena, “não contaram a ninguém nada do que tinham visto” lá em cima, também não é menos verdade que Pedro, nas suas cartas, para aí nos remete, transformando este episódio num dos pilares seguros da nossa fé: “fomos testemunhas oculares da Sua majestade.... Nós próprios a [voz] ouvimos quando estávamos com Ele na nuvem” (2Ped. 1,16-18).
O paradoxo, diz-nos S. Lucas, está nesta junção do que parece incompatível: “Moisés e Elias falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém”. Se sempre o caminho da cruz foi ‘loucura’ e ‘escândalo’, ainda o é mais no nosso tempo, em que tudo se sacrifica por um momento de glória! Com razão, S. Paulo considera “inimigos da cruz de Cristo” aqueles que “fazem do ventre a sua glória” e só “apreciam as coisas terrenas”.
São estes os dois caminhos que se colocam diante de nós: o do mundo, que tudo promete, mas – sabemo-lo bem – dele só recolhemos vazio e frustração, e o caminho da cruz, no qual temos um Deus que não apenas promete, mas também se compromete – e por juramento solene! – com cada um de nós, como o fez com Abraão, do qual se afirma que “acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído como justiça” e se tornou ‘pai de muitos povos’, como se comprometeu com Seu Filho, a quem, pela ressurreição, restituiu a vida em plenitude e constituiu fonte de vida.
Também nós precisamos de contemplar a ‘transfiguração’ para, por uma fidelidade amorosa ao Pai do Céu semelhante à de Abraão e à de Jesus, também os nossos caminhos de calvário e de cruz, se transformarem em caminhos de Tabor, isto é, em caminhos de glória!
Num tempo em que tanta gente anda deprimida e oprimida, num mundo de insegurança e de violência como o nosso, cheio de incertezas, de desorientação e desencanto, cada vez mais mergulhado no consumismo e no prazer, urgente se torna que os cristãos acendam a luz da esperança e lancem o grito: “olhai para o céu!”
. Publicado em www.espiritanos.org a 2/24/2010 5:49:39 PM.
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